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A idéia deste livro surgiu da experiência das autoras como psicólogas – mais de 15 anos – no trato com crianças e da constatação de que recebiam em seus consultórios um número considerável de crianças com o diagnóstico de hiperatividade. Em geral, essas são crianças consideradas extremamente ativas, impulsivas, inquietas e agitadas, ou desatentas e desligadas do que acontece ao seu redor. Na maioria dos casos, apresentam dificuldades para realizar suas tarefas escolares e se manterem minimamente concentradas em suas atividades cotidianas. Na família, o clima se torna tenso, repleto dos mais variados confrontos, além da busca ansiosa dos pais por soluções e orientação.
Assim, o objetivo do livro é despertar uma reflexão diferenciada entre as crianças que possuem o Transtorno de Déficit de Atenção/ Hiperatividade propriamente dito, e aquelas outras cujo comportamento pode ser compreendido como resultado das influências do mundo contemporâneo e hiperativo, do contexto cultural sobre o indivíduo e a subjetividade. Minha amiga Tartalete procura aproximar pais e filhos na busca de soluções para lidar com essas diferenças no comportamento. Como princípio teórico considerou-se a idéia de que o traço humano é sempre variante, já que as pessoas são diferentes, têm seus temperamentos e personalidades individuais, e que estes devem ser respeitados.
O livro traz a simpática e amiga Tartalete – que não por acaso é uma tartaruga –, que funciona como uma espécie de alterego do garoto Pedrinho. Eles conversam sobre os conflitos do menino, suas dificuldades na escola, em casa e com os amigos. E concluem que é de extrema importância o diálogo entre os familiares e a atenção aos sentimentos dessa criança. A busca de soluções para lidar com comportamentos diferentes deve necessariamente considerar o respeito à individualidade de cada um.
O livro não apresenta alternativas de tratamento. Ao contrário, pretende mostrar os sentimentos da criança e de sua família e apontar para a necessidade de um mergulho dentro de si mesmo, de um trabalho profundo de reflexão para compreender o que realmente acontece. A partir disso, deve-se procurar ajuda e fazer sua própria escolha.
Minha amiga Tartalete é o primeiro volume de uma série – PENSANDO NO MUNDO DA CRIANÇA – que sugere a abordagem de temas que, na maioria das vezes, geram conflitos para a própria criança em suas relações com a família, a escola e os amigos.
MARGARETE BIANCHI nasceu em São Paulo, mas mudou-se para o Rio de Janeiro quando ainda era muito jovem. Como sua família estava sempre mudando de cidade em função dos compromissos profissionais, sua vida ganhou um caráter mais itinerante, o que a fez estar sempre atenta a tudo que era diferente e inovador. Estudou música clássica e morou no exterior por algum tempo. Profissionalmente, optou por estudar o traço humano e suas variantes na Psicologia. Descobriu a Clínica e a Psicanálise na graduação na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e buscou na pós-graduação em Psicologia Médica e nas enfermarias de Pediatria do Instituto Fernandes Figueira (Fiocruz) os aprimoramentos conceitual e técnico. Poucos anos depois ingressou na SPCRJ (Sociedade de Psicanálise da Cidade do Rio de Janeiro). Hoje, como membro efetivo dessa Instituição, continua seus estudos ligados ao psiquismo, ao desenvolvimento infantil e às questões ligadas à família. Trabalha há mais de 15 anos em seu consultório atendendo individualmente adultos, adolescentes e crianças. Contato: margarete@bianchi.psc.br
VERA LUCIA ARAÚJO desde cedo sabia que queria trabalhar com crianças. Ingressou no curso de Psicologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e logo estava trabalhando com crianças autistas. Começou sua formação psicanalítica quando ainda estava na faculdade e, hoje, é Membro Associado ao Fórum do Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro. Uma das suas paixões é a Filosofia. Também na Uerj, fez o Curso de Especialização em Filosofia Moderna e Contemporânea que a levou ao Mestrado em Ciências da Saúde, na área da Epistemologia da Psicanálise no Instituto de Psiquiatria da UFRJ. Trabalha com crianças, adolescentes e adultos em seu consultório e também é psicóloga do Colégio Nossa Senhora da Misericórdia, no Rio de Janeiro. Atenta e interessada nas questões da sociedade contemporânea e procurando enriquecer sua formação clínica tornou-se Conselheira em Dependência Química, a fim de enriquecer sua formação clínica. Contato: veralucia@araujo.psc.br
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