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O CÉREBRO NOSSO DE CADA DIA
Descobertas da neurociência sobre a vida cotidiana
Suzana Herculano-Houzel
15 x 22 cm | 208p.
ISBN: 85-88782-01-4
10ª ed. | 2008

R$ 35,00

SUZANA HERCULANO-HOUZEL é doutora em neurociências pela Université Paris VI, mestra em Ciências pela Case Western Reserve University, EUA, e bióloga formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 1999, após trabalhar quatro anos no Instituto Max-Planck para a Pesquisa do Cérebro, em Frankfurt/Alemanha, retornou ao Brasil para trabalhar no Museu da Vida na Fundação Oswaldo Cruz. Hoje é professora do departamento de anatomia da UFRJ. É casada e tem dois filhos.

APRESENTAÇÃO

Chico Buarque, o nosso poeta do cotidiano, é que deveria ser o apresentador de Suzana Herculano-Houzel e seu livro sobre a neurociência do cotidiano. Sim, porque ambos reconhecem o que todos nós temos, não dizemos a ninguém mas morremos de curiosidade de saber por quê.

Foi Chico que nos chamou a atenção: "Procurando bem / Todo mundo tem pereba / Marca de bexiga ou vacina / E tem piriri, tem lombriga, tem ameba. Todo mundo tem remela / Quando acorda às seis da matina. / Teve escarlatina ou tem febre amarela/(...) Medo de subir, gente / Medo de cair, gente / Medo de vertigem / Quem não tem".

Suzana faz algo parecido. Chama a nossa atenção para o gago da família, coitado, fala tão esquisito. E para o canhoto, por que será que faz tudo ao contrário? Para as cócegas que sentimos quando alguém cutuca o nosso sovaco, que coisa estranha, um sentido que faz rir? E o bocejo? Alguém começa, todo mundo sai atrás imitando sem querer. Os sonhos bons, os sonhos ruins - esquecemos muitos, lembramos de alguns marcantes, para que será que servem? Suzana faz isso e algo mais: acrescenta o que de mais recente se sabe sobre cada um desses temas, à luz da mais contemporânea pesquisa científica.

O livro que vocês têm em mãos é entretenimento certo e divulgação científica da melhor qualidade. Suzana Herculano-Houzel é uma neurocientista (já já comento o que é isso) de sólida formação. Iniciou sua vida científica como bióloga, depois se interessou pelo sistema nervoso e foi fazer pós-graduação nos Estados Unidos (Mestrado) e na Europa (Doutorado), onde passou vários anos antes de voltar para o Brasil e descobrir-se escritora, dessas de escrita fácil, leve e clara. Aí, escreveu sobre História da Neurociência, fez uma pesquisa de opinião sobre o que as pessoas sabem sobre o Sistema Nervoso, inventou e realizou exposições no Museu da Vida da Fundação Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro, e acabou criando um site na Internet que esclarece essas coisas interessantes e misteriosas da vida cotidiana, ligadas ao funcionamento do Sistema Nervoso. O site fez tanto sucesso que deu neste livro.

E inaugurou uma prática de divulgação científica que ainda vai dar o que falar. Você não precisa ouvir uma aula chata e interminável sobre o tronco encefálico para conhecer os mecanismos cerebrais do ato reflexo de bocejar. Também não precisa ficar horas diante do dicionário ou da enciclopédia procurando o melhor verbete que lhe dê alguma informação sobre a lateralidade cerebral dos indivíduos canhotos. Menos ainda é necessário ler as obras de Freud (quem consegue ir até o fim?) e depois ficar com aquele sentimento de frustração de que sua ignorância sobre os mecanismos cerebrais do sono e dos sonhos... aumentou!

O Cérebro Nosso de Cada Dia vai fazê-lo ler sem conseguir parar, e esclarecer muitos desses fatos e fenômenos do cotidiano à luz dos últimos avanços da neurociência. Neurociência é a moderna disciplina científica formada no final do século 20 pela confluência de várias disciplinas ditas básicas - a anatomia, a histologia, a bioquímica, a biologia molecular - com outras tantas disciplinas ditas profissionais (ou "clínicas") - a neurologia, a neuropatologia, a psicologia, a psiquiatria. A essas se juntaram ainda a inteligência artificial, a informática robótica, vários ramos da matemática e da física. Os cientistas que trabalhavam em cada uma dessas disciplinas, utilizando seus métodos e abordagens para compreender o Sistema Nervoso, descobriram que melhor fariam se se reunissem em congressos unificados, trabalhassem em projetos multidisciplinares, publicassem em revistas comuns e recebessem estudantes de diferentes formações. Os novos profissionais que se formaram com essa visão ampla e diversa são os neurocientistas. O resultado desse movimento foi uma explosão impensável do conhecimento científico sobre o Cérebro e suas operações, que ocorreu nos últimos anos e ainda está em curso.

Suzana Herculano-Houzel é uma neurocientista que se formou profissionalmente bem no auge dessa revolução. E ao decidir dedicar-se à divulgação científica, puxando da experiência cotidiana de todos nós os temas deste livro, inaugurou uma nova abordagem para a divulgação científica.

Para os leitores, o melhor dos mundos. Cada tema é abordado com base em artigos científicos publicados nos últimos anos por neurocientistas do melhor padrão, em revistas de rigorosos critérios de qualidade. A combinação é perfeita: leitura agradável, credibilidade e exatidão científicas, esclarecimento de questões intrigantes, surpresa de encontrar explicações para mistérios antes considerados insolúveis, conhecimento de como os neurocientistas trabalham, humor e leveza.

É ler e gostar, na certa.

Novembro de 2001

Roberto Lent
Professor titular do Departamento de Anatomia
do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ

SUMÁRIO

O CÉREBROS EM NÚMEROS

O mito dos 10% do cérebro

Quanto do seu cérebro você usa? E da sua capacidade? E do seu potencial?

Os 90% do cérebro

Conheça as células que ajudam os neurônios.

Quantos neurônios ainda me restam?

Faça as contas e veja que tamanho não é documento, nem mesmo no cérebro.

O meu, o seu e o do Einstein

Até onde as diferenças entre cérebros são importantes?

Uma garrafa de vinho cheia de... sangue

Quanto sangue é necessário para manter o cérebro funcionando?

SENTIR

A cabeça dói. Mas o cérebro não sente nada

Por que a aspirina resolve algumas dores de cabeça. Mas infelizmente não todas...

Conheça seu sétimo sentido

E olha que não é a intuição!

Cérebro que não se comunica se trumbica

A atividade cerebral é tão importante que, mesmo antes de os sentidos começarem a funcionar, o cérebro dá seu jeitinho de ir se entretendo: falando sozinho.

Não dói se achar que não vai doer: o poder analgésico da mente

O cérebro, sugestionado, produz seu próprio remédio, numa versão agradável do "efeito placebo".

Coçar até doer faz a coceira parar

Coceira e dor, afinal, são duas sensações diferentes. Mas você sempre soube disso...


AGIR


Por que cosquinha só funciona no sovaco alheio?

As predições do cérebro e um método revolucionário para acabar com as cócegas.

Como apertar um botão sem mexer um dedo

Ratos aprendem a usar a eletricidade cerebral para mover uma alavanca sem se mexer.

As quatro formas de ser canhoto

O que pode fazer a gente ter preferência por um lado do corpo - e do cérebro?

Insubordinação cerebral dá gagueira

Quando os dois lados do cérebro brigam para ver quem fala primeiro.


SONO & SONHOS


O sono das moscas

Mosquinhas da banana são as mais novas cobaias para o estudo do sono.

Não dá para não dormir

Falta de sono completa e crônica mata. Mas a ciência ainda não sabe por quê.

Desligue os sentidos, é hora de dormir!

Como o cérebro consegue adormecer com a televisão ligada?

Dormir para aprender

Pode até parecer desperdício tanto tempo na cama, mas aquelas oito horinhas preciosas fazem valer o aprendizado do dia.

Tudo para o alarme não tocar

Alterações programadas no nível de um hormônio estão por trás da incrível capacidade de acordar segundos antes do despertador.

Esse bocejo irresistível...

Por que o bocejo é contagioso?

Precisa dormir, mas não pode? Durma com meio cérebro

Golfinhos, baleias e patos dão um jeito para descansar em situações inoportunas.

Cérebro 1 x 0 Sono

Depois de uma noite em claro, o cérebro funciona menos, certo? Nem sempre, e isso pode explicar como o cansaço mental às vezes pode ser vencido pelo esforço. Às vezes...

Sonhos que escorrem por entre os dedos da memória

A química do cérebro adormecido explica por que a memória dos sonhos é tão efêmera.


DROGAS


Movidos a cafezinho e refrigerantes

Afinal, cafeína vicia ou não vicia?

O segundo primata viciado em maconha

Como decidir se uma droga causa dependência ou não?

Fugu, iguaria letal

O que há de tão perigoso numa moqueca capixaba?


APRENDIZADO & MEMÓRIA


Neurônios novos em cérebros usados

Um bilhete de volta para a viagem ao fundo do poço.

Aprendendo com neurônios novos

Um pouquinho de juventude renovada para ajudar a memória.

Mães sabem mais

Cuidar da prole deixa a memória aguçada. Mas as mães já sabiam disso.

O cérebro diferente dos taxistas londrinos

Decorar um mapa com 2 mil ruas pode mudar seu cérebro.

Lembrando do que não aconteceu

Como pode o cérebro encontrar registros de coisas que não aconteceram?


COGNIÇÃO & CONSCIÊNCIA


É impossível contar uma piada só

O pedaço engraçado do cérebro.

Finalmente a consciência toma corpo

Sem cérebro não há consciência. Talvez sem corpo também não.

Onde está Wally?

Como o cérebro procura e encontra figuras familiares

Óvnis pré-históricos e os limites da imaginação

Por que todos os extraterrestres são iguais?

Parasitas que controlam a mente

Toxoplasma deixa ratos com ímpetos suicidas.

Cérebro adulto vira prodígio em matemática

Seja você também um prodígio em contas de cabeça! Preços módicos: vontade, dedicação, e... 6 mil horas de treino!


NA SAÚDE & NA DOENÇA


Neuróbica para manter o cérebro vivo

Suas sinapses: use-as ou perca-as.

Neurônios novos contra a depressão

Antidepressivos têm efeito inusitado: fazem nascer mais neurônios no cérebro.

Ar-condicionado portátil engana o cérebro

Como o cérebro mantém a temperatura do corpo, e como uma toalha

molhada - ou uma engenhoca americana - engana o sistema.

Fico tão feliz que eu... durmo!

Um grãozinho de 15 mil neurônios faz a diferença entre o sono normal

e a narcolepsia.

Inseticidas, moscas com tremedeira e o mal de Parkinson

Novos modelos para o estudo dessa doença.

O que o mal de Alzheimer e o câncer têm em comum?

Como a divisão celular descontrolada característica do câncer pode ter o efeito oposto no cérebro: matar os neurônios.

 

NOVAS TERAPIAS

Implante cerebral

Injeção de células no cérebro para repor as perdas do mal de Parkinson funciona há dez anos.

Uma vacina contra o infarto cerebral

Quem diria, uma vacina para o cérebro não se autodestruir.

Ginkgo biloba contra a perda de neurônios

A planta que sobreviveu à bomba de Hiroshima é milagrosa, mesmo: combate até o mal de Alzheimer.

O dia em que Christopher Reeve voltou a andar

Caem as barreiras à regeneração da medula espinhal.

 

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