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Apresentação

Proponho uma reflexão filosófica e literária sobre os sete pecados capitais, analisando, por contraste, o poder transformador da educação. O conceito de pecado adotado neste livro foge aos limites da moral religiosa e tem algo de “confundente”, pois mistura-se de modo deliberado com diversos parentes semânticos: falhas, transgressões, equívocos, desacertos, desatinos, desvios, enganos, lapsos, vacilos...

Pecado, portanto, não como ofensa a Deus (offensa est in Deum) no sentido teológico clássico, mas como obstáculo para realizar o nosso projeto de humanização (o que não deixa de ser uma ofensa ao Criador). Pecado como desobediência grave (ou grave indiferença) ao que temos de mais sagrado: a nossa dignidade de pessoas.

Já as virtudes da educação são valores convertidos em conduta. Não basta elogiar a Solidariedade, é preciso assumi-la como virtude e praticá-la de maneira convicta. É fácil enaltecer a Coragem, mas virtuoso mesmo é viver corajosamente diante de perigos e problemas concretos. Quem falaria mal da Criatividade? O que se espera é que alguém seja realmente criativo no seu dia-a-dia. A reflexão bem-feita abre caminho para a ação (quase) perfeita. A “dor da lucidez” mobiliza nossas capacidades adormecidas. Virtude é força despertada para realizar o melhor possível.

A crise educacional brasileira configura uma situação viciosa, desvio das coisas boas e desejáveis. Não conseguimos atingir o alvo. A calamidade (para lembrar o título de um livro de Darcy Ribeiro, Nossa escola é uma calamidade, de 1984 mas extremamente atual), põe em risco o futuro das crianças e dos jovens brasileiros. Não se trata de caçar culpados, extrair confissões contritas à força de sermões. Responsabilidade é a atitude correta de quem deseja contribuir para uma educação de qualidade. Somos responsáveis por aquilo que conhecemos e amamos. Quando tomamos consciência de que algo bom vai mal, e de que poderá ir de mal a pior..., sentimos a necessidade imperiosa de reagir.


Gabriel Perissé
São Paulo, 14 de março de 2007