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Avareza, ira, soberba e inveja, luxúria, preguiça e gula, estes são os pecados capitais que, no contexto da educação brasileira, explicam um quadro de problemas crônicos (analfabetismo funcional, repetência, evasão, violência etc.), para cuja solução é preciso descobrir, na sombra do pecado, as virtudes da educação.
Conjugando visão teórica e vivência docente, Gabriel Perissé utiliza a clássica referência dos pecados capitais para analisar a formação do professor e a realidade da sala de aula, explorando a necessidade da virtude, palavra que, no latim (virtus), remetia à força interior que nos faz superar os obstáculos externos e o perigo do desânimo.
O entusiasmo profissional, a fome de leitura, a generosidade, o otimismo, a capacidade de indignar-se contra a injustiça e outras virtudes compõem o perfil daqueles que podem lutar por uma escola melhor: professores, pais, políticos, formadores de opinião, líderes culturais, empresários etc.
GABRIEL PERISSÉ é doutor em Filosofia da Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), com a tese “Filosofia, ética e literatura: a proposta pedagógica de Alfonso López Quintás” (2003). Mestre em Literatura Brasileira pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), com a dissertação “Carlos Nejar: uma admiração problemática” (1989).
Autor de 11 livros sobre temas relacionados à didática, à formação de professores, à leitura criativa, à literatura e à arte de escrever, desenvolve pesquisas interdisciplinares, conjugando sua formação inicial na área de Letras aos seus estudos em Filosofia e Pedagogia. Recentemente, foi Editor da edição Especial Etimologia, da revista Língua Portuguesa (março de 2007).
Seu site na internet < www.perisse.com.br > contém uma série de artigos que escreve para a mídia regularmente, ensaios sobre educação, linguagem e literatura, bem como notícias sobre sua atividade como palestrante em todo o Brasil.
Apresentação
Proponho uma reflexão filosófica e literária sobre os sete pecados capitais, analisando, por contraste, o poder transformador da educação. O conceito de pecado adotado neste livro foge aos limites da moral religiosa e tem algo de “confundente”, pois mistura-se de modo deliberado com diversos parentes semânticos: falhas, transgressões, equívocos, desacertos, desatinos, desvios, enganos, lapsos, vacilos...
Pecado, portanto, não como ofensa a Deus (offensa est in Deum) no sentido teológico clássico, mas como obstáculo para realizar o nosso projeto de humanização (o que não deixa de ser uma ofensa ao Criador). Pecado como desobediência grave (ou grave indiferença) ao que temos de mais sagrado: a nossa dignidade de pessoas.
Já as virtudes da educação são valores convertidos em conduta. Não basta elogiar a Solidariedade, é preciso assumi-la como virtude e praticá-la de maneira convicta. É fácil enaltecer a Coragem, mas virtuoso mesmo é viver corajosamente diante de perigos e problemas concretos. Quem falaria mal da Criatividade? O que se espera é que alguém seja realmente criativo no seu dia-a-dia. A reflexão bem-feita abre caminho para a ação (quase) perfeita. A “dor da lucidez” mobiliza nossas capacidades adormecidas. Virtude é força despertada para realizar o melhor possível.
A crise educacional brasileira configura uma situação viciosa, desvio das coisas boas e desejáveis. Não conseguimos atingir o alvo. A calamidade (para lembrar o título de um livro de Darcy Ribeiro, Nossa escola é uma calamidade, de 1984 mas extremamente atual), põe em risco o futuro das crianças e dos jovens brasileiros. Não se trata de caçar culpados, extrair confissões contritas à força de sermões. Responsabilidade é a atitude correta de quem deseja contribuir para uma educação de qualidade. Somos responsáveis por aquilo que conhecemos e amamos. Quando tomamos consciência de que algo bom vai mal, e de que poderá ir de mal a pior..., sentimos a necessidade imperiosa de reagir.
Gabriel Perissé
São Paulo, 14 de março de 2007
SUMÁRIO
Nota introdutória
Uma noção ampliada de pecado
A educação para fazer ou para ser?
i. A Avareza versus a Magnanimidade
ii. A Gula e seus tentáculos
iii. A Ira em contraste com a justa Indignação
iv. A Luxúria é contra o Prazer
v. A Preguiça e um minuto de Ócio
vi. A Inveja e outras cegueiras
vii. A Soberba, cabeça das cabeças
Referências bibliográficas
Sobre o autor
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