ABORDAGENS HEGELIANAS
Paulo Meneses
“um sistema que vive em estreita unidade com o método que o constrói, uma lógica que é uma metafísica,
um discurso que pensa por verbos e não por substantivos, um resultado que só tem sentido junto ao processo
que a ele conduziu, a conclusão que é o fundamento de tudo – são algumas das características da
filosofia hegeliana que constituem dificuldades árduas para quem dela se aproxima.”
Paulo Meneses é hoje um dos maiores especialistas em Hegel do País. Autor de importantes traduções do filósofo alemão publicadas no Brasil: Fenomenologia do Espírito e três volumes da Enciclopédia das Ciências Filosóficas. A tradução da Fenomenologia, obra que ocupa a maior parte das abordagens deste livro, foi trabalhada arduamente durante anos e anos de estudo. Poliglota, Paulo Meneses cotejou minuciosamente o original alemão com as melhores traduções disponíveis: francesa, italiana, inglesa e espanhola. O objetivo era apresentar um “texto que parecesse redigido em nosso idioma e fosse fiel ao sentido do original alemão”. Assim, destaca-se o notável trabalho realizado pelo tradutor para explicar o sentido da aufheben e aufhebung, devido à total ausência nas línguas latinas de termos equivalentes, que significassem ao mesmo tempo suprimir e conservar.
Paulo Meneses assinala que para entender Hegel é preciso refazer, por nós mesmos, seu périplo e, assim, repensá-lo em nosso idioma. É um desafio árduo, mas em nosso socorro vem a competência do tradutor: ajudar para essa reconversão de nosso modo de pensar, que, espontaneamente, ficaria no nível do entendimento, em direção ao pensamento conceitual ou especulativo, pela razão dialética. Assim, não é uma leitura, por mais atenta que seja, que vai ter esse efeito. Muita meditação se exige até que chegue o dia em que, ao refazer seu percurso pela enésima vez, o texto comece a iluminar-se por dentro, como numa revelação racional.
Neste livro, o autor, enfrenta e vence o desafio de expor de maneira clara e suscinta o fundamental do pensamento de Hegel. “A dialética é o supremo esforço da razão especulativa e é o único método capaz de obter a compreensão do todo. Por isso, entre os grandes filósofos, Hegel é o menos entendido e tem sido objeto de exposições incapazes de captar seu pensamento.” Isto porque “o pensamento de Hegel é uma armadilha: ninguém consegue captá-lo, sem refazer-se, pelo menos enquanto o estuda, hegeliano também, ao refazer em si mesmo o movimento do conceito hegeliano.”
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