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Como se dá o trabalho com meninos e meninas com necessidades especiais dentro da sala de aula? Realmente está sendo possível ensiná-los? Estar na escola regular é, por si só, a inclusão almejada? O que fazer com o aluno autista que fica agressivo ou com aquele que tem episódios alucinatórios durante a aula? O que fazer com o menino deficiente mental que completou 18 anos e precisa entrar na vida adulta? Como lidar com o estigma e o preconceito? Essas são algumas perguntas que permeiam o cotidiano de professores das escolas inclusivas.
Ampliar o acesso à educação inclusiva – uma criança especial numa turma regular – é, atualmente, um grande desafio. As crianças e adolescentes que apresentam quadros de deficiência mental, autismo ou transtornos mentais são muito singulares e precisam que suas peculiaridades sejam reconhecidas e atendidas. Isso exige dos professores e de seus auxiliares um trabalho muito específico. Escrito por três especialistas com reconhecida experiência com crianças e jovens com necessidades especiais, este livro tenta preencher a lacuna de produções nessa área. Traz orientações importantes para os familiares e, principalmente, para esses fundamentais agentes da inclusão: os professores da educação inclusiva.
“A educação inclusiva constitui uma proposta educacional que reconhece e garante o direito de todos os alunos de compartilhar um mesmo espaço escolar, sem discriminações de qualquer natureza. Promove a igualdade e valoriza as diferenças na organização de um currículo que favoreça a aprendizagem de todos os alunos e que estimule transformações pedagógicas das escolas, visando à atualização de suas práticas como meio de atender às necessidades dos alunos durante o percurso educacional.” [Ministério da Educação/Secretaria de Educação Especial, 2007]
PATRÍCIA CAVALCANTI SCHMID é médica (1993) e especialista em Psiquiatria Infantil pela UFF(1997), tem mestrado em Saúde Mental pelo Instituto de Psiquiatria da UFRJ (2004) e especialização em Saúde Pública/Saúde Mental na Jonhs Hopkins University/Bloomberg School of Public Health/EUA. No Instituto Municipal Nise da Silveira foi diretora (2001-2005) do antigo Serviço de Saúde Mental Infanto-Juvenil e, atualmente, é diretora do Depto Assistencial. Foi coordenadora da área psiquiátrica do programa Integrando da Academia Brasileira de Ciências. Hoje faz parte da equipe da Salud-Cuidados – Gestão de Cuidados Especiais. Atuação: reabilitação psicossocial, psiquiatria infanto-juvenil, psiquiatria social e reforma psiquiátrica.
MARIA ALICE SIGAUD MACHADO COELHO é psicóloga, pela UFMG (1969) e mestre em Psicologia Aplicada pela FGV/RJ (1972), tem especialização em Educação e Saúde pela Harvard University/EUA e em Gestão de Saúde pela Copead/UFRJ. Foi coordenadora de ensino do programa Integrando da Academia Brasileira de Ciências, assessora educacional na Escola de Governo da ENSP/Fiocruz e coordenadora de ensino e divulgação científica do Inca. Ex-diretora do Núcleo de Tecnologia Educacional para a Saúde (NUTES/UFRJ). Atualmente faz parte da equipe da Salud-Cuidados – Gestão de Cuidados Especiais. Atuação: ensino-aprendizagem, avaliação educacional, informática educativa, metodologia de ensino, competências e formação de profissionais para projetos de inclusão social.
LUCIANE PINTO RIBEIRO é graduada em Psicologia pela UFF (1988) e mestrado em Psicologia pela UFRJ (1992). Foi supervisora clínica do programa Integrando da Academia Brasileira de Ciências. Atualmente é Psicóloga da Secretaria Municipal de Saúde da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro e faz parte da equipe da Salud-Cuidados – Gestão de Cuidados Especiais. Tem experiência na área de Psicologia, atuando principalmente nos seguintes temas reabilitação psicossocial, moradias assistidas e inclusão social.
APRESENTAÇÃO
Há tempos nós, professores, pedagogos e profissionais da educação necessitamos de uma contribuição para tratar da questão da inclusão, teórica e praticamente. Entendemos, apoiamos e começamos a viver a inclusão, porém, não negamos que o nosso trabalho descolado de um conjunto de demais ações não é suficiente para que tenhamos uma verdadeira escola inclusiva. Precisamos unir saberes, experiências e, assim, caminhar na perspectiva inclusiva em prol do pleno aprendizado e do bem-estar de todos os envolvidos.
A iniciativa deste livro é mais que bem-vinda. É realmente necessária e o diálogo que propõe para o interior da escola é urgente.
No capítulo I as autoras nos localizam sobre as necessidades educacionais especiais, leitura que vale para todo interessado no tema, não somente para profissionais da educação. A importância dada à questão do estigma traz à tona sentimentos íntimos que normalmente negamos, pois não nos é dada a possibilidade de encará-los e discuti-los, o que neste livro é tratado como essencial à convivência em uma escola inclusiva. Vemos, ainda, por meio das estatísticas apresentadas, que a inclusão é uma realidade e que o trabalho a ser realizado deve ser o mais sério e comprometido possível. Como contribuição fundamental deste capítulo, temos a possibilidade de saber mais sobre as deficiências e transtornos mentais, nos auxiliando no trabalho com os alunos com tais necessidades especiais. Ao final do capítulo, os campos da educação e da saúde mentais estão de mãos dadas, evidenciando que não pode ser diferente para que realmente tenhamos uma escola inclusiva.
O capítulo II traz pistas para o cotidiano do professor e seu aluno PNE –
Pessoas com Necessidades Especiais – e esclarece que não há trabalho de mão única que dê certo. Para que todas as propostas de trabalho aqui descritas sejam reais, é necessário o envolvimento de toda a comunidade escolar, sem exceção, transformando em via de mão dupla as ações no interior da escola. Ter uma escola inclusiva não se restringe em ter um Professor apto a trabalhar com os alunos com necessidades educacionais especiais, mas todo profissional que ali atua deve se sentir envolvido, seguro e preparado, desde o primeiro atendimento recebido pelo aluno ao entrar em sua escola, como em todos os outros espaços de convívio que ele passará. Somente assim as famílias e os demais alunos poderão viver a inclusão em sua plenitude e constatar os avanços atingidos quando é realizado tal trabalho. A apresentação do Planejamento Individual Anual (PIA), do Diagrama dos Relacionamentos Sociais (DRS) e das Atividades de Vida Diária (AVDs) é, ao meu ver, o grande auxílio prestado por este trabalho ao cotidiano do professor e da escola que se pretende inclusiva. São atividades viáveis, que requerem o comprometimento com a proposta de inclusão e respeito aos familiares e envolvidos na vida do aluno com necessidade educacional especial, além de serem também inovadoras, pois mesmo que planejamentos já sejam feitos, a organização mostrada aqui nos prepara para iniciar o trabalho com a confiança de que o percurso pode ser bem feito.
As histórias de inclusão contadas no capítulo III, com os exemplos do PIA e do DRS, por serem histórias baseadas em fatos reais, mais uma vez nos transmitem a segurança para que possamos iniciar um trabalho comprometido, seguindo as proposições aqui relatadas. Sabemos que em nossa trajetória encontramos percalços difíceis de serem ultrapassados como, por exemplo, a falta de envolvimento de profissionais que atendem os portadores de necessidades especiais, mas devemos lembrar que faz parte das políticas públicas dos campos da educação e da saúde a participação e envolvimento na vida escolar do aluno e que a inclusão não é responsabilidade apenas da escola, mas de todos os setores em que o aluno PNE é atendido e também de suas famílias, que podem, muitas das vezes, se apresentar como o maior desafio a ser enfrentado pelos profissionais da escola.
O capítulo IV, como todo o livro faz, apresenta ferramentas que realmente poderemos utilizar. A seriedade com que é tratado o trabalho em equipe faz do professor o centro de todo o projeto de inclusão sim, mas ele não pode realizar nenhum trabalho eficaz sozinho. O professor necessita da participação de toda a escola e, muito mais que o professor, quem necessita é o aluno PNE. Outra atitude fundamental que não pode ser esquecida pela equipe escolar é o estudo contínuo. O professor não deve se descuidar, ao contrário, quanto mais informação se busca, mais confiança se tem no próprio trabalho e mais ações poderão ser realizadas. E influenciar os colegas de trabalho a uma postura estudiosa é colaborar para o bom desenvolvimento da proposta de inclusão. O autoconhecimento também é trazido neste capítulo como estratégia de trabalho para o professor que, ao saber sobre seus sentimentos e as formas como pode expressá-los, torna-se muito mais preparado para lidar com os sentimentos de seus alunos que certamente surgirão.
Finalizando esta Apresentação, dou as boas-vindas a esta iniciativa. Que a inclusão vença e se torne real. Que os professores e seus alunos tenham uma história de alegria em seus aprendizados. Que educação e saúde estejam sempre aliadas para a existência da escola inclusiva. Quando a comunidade escolar acreditar que a inclusão fará do aluno PNE mais um daquela escola a estar mais preparado a lidar com o mundo que o cerca e assim, podendo ser mais feliz, o sucesso do trabalho será o objetivo a ser atingido e os entraves que aparecerem, em conjunto, certamente poderão ser superados.
Márcia Haydée Cavalcanti Schmid Pereira*
São Paulo, fevereiro de 2008
* Márcia Haydée Cavalcanti Schmid Pereira foi Supervisora Educacional da Fundação Municipal de Educação de Niterói/RJ, de 2004 a 2006; Orientadora Pedagógica do município de Maricá/RJ, de 2000 a 2005; Orientadora Pedagógica do Município de Silva Jardim/RJ, de 2003 a 2005; Coordenadora Pedagógica do Programa Alfabetização Solidária, ligado à Universidade Federal Fluminense/UFF, de 1998 a 2003; e Professora dos primeiros anos do Ensino Fundamental do Governo do Estado do Rio de Janeiro e de escolas particulares. Atualmente, e Coordenadora do Curso de Pedagogia da Faculdade Morumbi Sul, em São Paulo.
SUMÁRIO
Apresentação
I CENÁRIO ATUAL
1. Contexto
2. As necessidades especiais de crianças e adolescentes nos campos da deficiência e saúde mentais
a) Deficiência mental
b) Esquizofrenia infantil
c) Esquizofrenia na adolescência
d) Autismo infantl
e) Síndrome de Asperger
f) Depressão infantil
g) Transtornos emocionais e de comportamento com início usualmente na infância ou na adolescência
3. Educação inclusiva e saúde mental – história e perspectivas atuais
II O PROFESSOR DE ALUNOS COM NECESSIDADES EDUCACIONAIS ESPECIAIS: QUE TRABALHO É ESSE?
1. O trabalho cotidiano com os alunos com necessidades educacionais especiais
a) Preparando os alunos regulares e suas famílias para receber os colegas com necessidades educacionais especiais
b) Competências do professor de alunos com necessidades educacionais especiais
c) Planejamento Individual Anual (PIA) e Diagrama dos Relacionamentos Sociais (DRS)
d) O professor e as famílias dos alunos com necessidades educacionais especiais
e) Atividades de Vida Diária (AVDs)
f) Manejo das medicações dos alunos com necessidades educacionais especiais
III HISTÓRIAS DE INCLUSÃO
Situação 1 | um menino psicótico
Situação 2 | uma menina com deficiência mental
Situação 3 | um menino autista
IV O PROFESSOR E O TRABALHO COLETIVO
1 Estabelecer metas e fazer planos de ação para alcançá-las em conjunto com a equipe gestora da escola
2 Buscar continuadamente informações relevantes
3 Ter iniciativa e visão de futuro em relação às ações educacionais.
4 Ser criativo no trabalho docente
5 Trabalhar em equipe
6 Desenvolver a inteligência emocional
7 Desenvolver a inteligência emocional dos alunos
V CONSIDERAÇÕES FINAIS
Referências bibliográficas
Sobre as autoras
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