| Desconstruir Duchamp: arte na hora da revisão
Affonso Romano de Sant’Anna
As 51 crônicas que compõem este livro surgiram da constatação do autor de que existe uma perplexidade do público em relação às artes plásticas, um fosso entre o observador e as obras apresentadas como artísticas. “Não se trata de ser contra ou a favor da arte moderna, mas de propor uma indagação, uma reflexão, uma reanálise de nossas manifestações simbólicas”.
As crônicas foram publicadas originalmente no jornal carioca O Globo e tiveram ressonância em todo o país. Artistas, estudiosos da cultura e leigos passaram a cobrar de Sant’Anna a reunião de seus artigos em livro. Dessa repercussão, nasceu Descontruir Duchamp – arte na hora da revisão.
O título do livro faz referência ao artista plástico Marcel Duchamp (1887-1968), que, em 1917, comprou um urinol e se inscreveu para participar de uma exposição de arte moderna em Nova Iorque com o pseudônimo de R. Mutt. Sua intenção era mostrar que um objeto tirado de seu cenário habitual e exposto numa galeria de arte pode, sim, ganhar a aura de uma obra de arte. Também demonstrou ser irrelevante o fato de o artista fazer ele mesmo, ou não, a obra. O relevante é tê-la escolhido. Para Duchamp, o que vale não é a criação e sim a seleção. Também foi com esse trabalho que Duchamp definiu, pela primeira vez, o conceito de ready-mader, idéia que influenciou e continua influenciando diversos artistas.
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