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O livro
reúne 22 libretos de cordel de cinco cordelistas. Versos populares
e leitura prazerosa em relatos de descobertas científicas,
questões relacionadas à saúde (dengue, vacinação, transplante,
diabetes etc) ou ao meio-ambiente (fauna e flora), episódios
da vida de cientistas (Newton, Einstein, Sabin, Santos Dumont,
Oswaldo Cruz, Galileu, Hipócrates, Arquimedes e Kepler), e
descrições de acontecimentos astronômicos (conquista da lua,
cometa Halley etc).
"Este
livro mostra que grandes nomes da literatura de cordel têm
aberto espaço para discutir a ciência em seus folhetos. Alguns
deles, como Gonçalo Ferreira da Silva (presidente da Academia
Brasileira de Literatura de Cordel), vêm se dedicando nos
últimos anos a escrever biografias de cientistas e filósofos
que marcaram a história da ciência e do pensamento humano.
Já Manoel Monteiro assumiu a tarefa de informar e alertar
seus leitores para a prevenção de doenças, para os cuidados
que devem ter os diabéticos e para outros temas relacionados
à saúde. Outros cordelistas usaram também a criatividade para
explorar temas importantes relacionados à ciência e à saúde,
como Raimundo Santa Helena, Eugênio Dantas de Medeiros e Edmilson
Santini.
As ações
de divulgação e difusão da ciência, embora tenham ocorrido
no Brasil desde pelo menos o início do século 19, ainda que
de forma incipiente e fragmentada, permaneceram limitadas
quase sempre às camadas da elite social e econômica. Ainda
assim, é possível encontrar nas formas mais populares de comunicação,
referências genéricas a temas que coabitam o terreno movediço
entre a ciência e a sociedade. Em muitas situações isoladas
e distantes do ensino formal, e freqüentemente não registradas
pelos raros estudiosos do assunto, surgem manifestações que
refletem certo nível de interesse, preocupação e envolvimento
com questões e fatos ligados à ciência.
Nosso
objetivo é, além de dar maior alcance ao trabalho imaginativo
desses poetas, sugerir que o cordel e outras formas de expressão
populares podem ser tomados como interessantes pontos de partida
para se analisar determinados aspectos da relação entre ciência
e sociedade e que podem mesmo ser utilizados como um instrumento
adicional de divulgação científica especialmente junto aos
setores populares. Esperamos também que esta ferramenta poética
possibilite e estimule a reflexão e o uso mais amplo de formas
alternativas de popularização da ciência."
ORGANIZADORES
ILDEU DE CASTRO MOREIRA
(Instituto de Física / Universidade Federal do Rio de Janeiro);
LUISA MASSARANI
(Museu da Vida / Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz);
CARLA ALMEIDA
(Museu da Vida / Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz).
Sobre
os cordelistas:
Edmilson Santini, pernabucano, nasceu em 1955. Hoje, mora
no Rio de Janeiro e se dedica ao Teatro em Cordel. / Eugênio
Dantas de Medeiros nasceu em 1939 no Rio Grande do Norte.
É formado em Filosofia e Pedagogia. Ocupa a cadeira número
10 da Academia dos Cordelistas do Crato. / Gonçalo Ferreira
da Silva nasceu em 1937, no Ceará. Vive no Rio de Janeiro
e é presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel
(ABLC). / Manoel Monteiro, pernambucano, nasceu 1937. É um
dos mais importantes cordelistas brasileiros em atividade.
/ Raimundo Santa Helena nasceu no Ceará em 1926. Tem cerca
de 300 títulos em circulação. Foi criador da Feira de São
Cristóvão, no Rio de Janeiro.
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