NOSSA ORIGEM
O povoamento das Américas: visões multidisciplinares
Hilton P. Silva & Claudia Rodrigues-Carvalho (orgs.)
Quem foram os primeiros seres humanos a pisar no novo mundo? De onde vieram tais indivíduos? Quais as evidências de sua presença? E de sua diferença/semelhança com os grupos atuais? Estas e outras questões são debatidas há muito tempo, mas no Brasil, em particular, tais discussões tomaram novo fôlego a partir do ano 2000, ocasião das comemorações dos 500 anos de contatos entre os grupos que aqui já estavam estabelecidos e os primeiros europeus a chegar no que hoje chamamos de território brasileiro. Neste livro, especialistas de várias áreas, todos envolvidos com as pesquisas sobre o povoamento do nosso continente, trazem o que há de mais recente sobre as origens dos primeiros povos que habitaram o continente americano.
O 1o. cap. [Revisitando a discussão sobre o Quaternário de Lagoa Santa e o povoamento das Américas: 160 anos de
debates científicos] pesquisadores do Museu Nacional/UFRJ analisam os aspectos históricos dos principais achados
humanos de grande antiguidade no Brasil, ainda no séc. XIX e início do séc. XX. No 2o cap. [Origens do homem nas
Américas: fósseis versus moléculas?] o pesquisador da USP, Walter Neves, trata dos achados mais recentes, como Luzia,
que sugerem que os primeiros habitantes do continente não se pareciam fisicamente com os tipos mongolóides clássicos, ou
com grupos ameríndios atuais. De onde vieram tais indivíduos? Mas não é apenas o número de migrações e suas datas que têm
causado confusão na cabeça dos bioantropólogos, arqueólogos, lingüistas, geógrafos, historiadores e todos os envolvidos nas
descobertas e análises sobre quem foram os primeiros residentes do continente. Em meados da década de 1980, o conjunto de
evidências reunidas levava à proposição de que a origem dos povos Ameríndios atuais teria ocorrido através de três ondas
migratórias distintas, todas de grupos provenientes do nordeste da Ásia para as Américas. A importância da arqueologia
e dos novos achados arqueológicos para a história do povoamento das Américas são apresentados no 3o cap. [O povoamento
inicial do continente americano: migrações, contextos, datações], por Tânia Andrade Lima, pesquisadora do
Museu Nacional/UFRJ. No 4o cap. [Hipóteses lingüísticas sobre o povoamento das Américas: é o Ameríndio a língua original
do continente sul-americano?] pesquisadoras (USP e UFRJ) da área de lingüística indígena tratam das possibilidades
de utilização de estudos lingüísticos para ajudar a entender o povoamento das Américas. No 5o. cap. [A genética: seu uso
na determinação da origem do homem americano] são apresentadas as contribuições da genética molecular para os
estudos do povoamento das Américas. O 6o cap. [Populações no tempo e no espaço: a origem da diversidade humana nas Américas]
pesquisadoras da Universidade de Cambridge relacionam o grande panorama da evolução humana no mundo com os processos que
podem ter influenciado o modo, o tempo de chegada e a morfologia dos primeiros americanos. No 7o. cap. [Migrações
pré-históricas e a paleoparasitologia] pesquisadores da Fiocruz e Unifor apresentam as importantes contribuições da paleoparasitologia
(disciplina que através dos vestígios de parasitas recuperados em tecidos biológicos ou em coprólitos (fezes fossilizadas)
permite conhecer um pouco mais sobre a ecologia de populações do passado e as relações entre os hospedeiros e os seus
parasitos) nas investigações sobre as rotas migratórias das primeiras populações americanas. No 8o. cap. [Reconstruindo
faces: revendo a História] pesquisadores da UFRJ e Fiocruz tratam das técnicas de reconstituição facial a partir
de material ósseo e seus possíveis usos em bioantropologia. Graças às técnicas de reconstituição facial como a
estereolitografia, foi possível chegar às feições de Luzia, o fóssil humano mais antigo até agora datado nas
Américas e ficar, pela primeira vez, face a face com o nosso passado mais distante. O último capítulo traz as muitas
questões ainda não resolvidas em relação ao povoamento das Américas. Ao final, um presente para o leitor: 30 páginas de referências
bibliográficas com cerca de 450 indicações. Uma das listas mais completas já organizadas sobre o tema.
Prefácio de Francisco Salzano (UFRS) e apresentação de Robert Foley (Universidade de Cambridge).
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